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sexta-feira, 28 de maio de 2010

A reação de Silas quando viu minha fotografia: não imaginava que mulheres talentosas pudessem ser jovens e bonitas, precisaria rever seus conceitos etc.

Conceitos? Pois sim. Urgentemente, pensei, você ainda não viu nada, darling, um sujeito com um mínimo de bom-senso não se meteria comigo. Felizmente é o que a esmagadora maioria tem demonstrado. Eu seria uma boa garota, se me dessem uma chance. Claro. Abra o dicionário, garota, e procura a letra "t", de trouxa. - Márcia Denser (Diana Caçadora - Wellcome to Diana)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Marcia Denser,

O que o leitor faria hoje com Lispector viva? O que o leitor faria hoje com Hilda Hilst viva?

Mas as mortas, por mais transgressoras em suas histórias, sao bem-comportadas, hein?

Você é um mito da literatura brasileira. E engasgada de fertilidade, totalmente viva. E nao sabemos o que fazer com voce.


(Perceve que fui machista, eu acabei a comparando com mulheres, não com escritores homens? Como se nao pudesse umbrear nomes femininos com masculinos... Mas - calma- as mulheres vão aonde os homens tem medo de entrar: no próprio corpo.)
- Fabrício Carpinejar [Prefácio de Toda Prosa II - Obra Escolhida - Marcia Denser]
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Conheci a escritora Marcia Denser em uma coletânea de contos eróticos que certa vez peguei emprestado na biblioteca. Suas palavras me fisgaram de imediato e logo fui atrás de outros livros dela, infelizmente sao muito difíceis de serem encontrados para empréstimo. Para minha surpresa hoje encontrei um livro dela numa biblioteca ambulante em um local totalmente inesperado, passei duas horas que eu dispunha para tentar absorver o máximo que eu podia.
Marcia Denser me dá fome e orgulho e altivez...
Então é comemorar e compreender, comemorar e compreender e arder e queimar e murmurar roucamente (porque estava resfriada de tantas curtiçoes) que te amo, te amo, te amo, mas nao te amo, nao é mesmo? Na cama, enquanto Gabriel armava jogos, fazia planos e o futuro e os projetos, eu ouvia - não conseguia pensar - e perdia novamente meu coraçao traiçoeiro desse braço de ferro, nesse mano a mano com a vida, vagamente pensando em como dar o fora e se ainda com alguma dignidade. Minha dignidade, no momento, era cor-de-rosa e balançava mansamente no cabide do quarto do motel, porque ventava e a janela estava aberta.
Assim nao é possível, assim nao é possível, desesperava-se Júlia a propósito dessa paixao que se multiplicava e se estendia inexoravelmente pelos trabalhos e dias e meses de êxtase e agonia.
Márcia Denser - Toda Prosa II - Obra escolhida